quinta-feira, 16 de abril de 2009

Deine Lakaien

FICHA TÉCNICA


Ano de formação: 1985
Tempo de atividade: 1985 - até hoje
Origem: Munique, Alemanha
Integrantes: Alexander Veljanov e Ernst Horn
Discografia: Deine Lakaien (1986); Dark Star (1991); Forest Enter Exit (1993); Winter Fish Testosterone (1996); Kasmodiah (1999); White Lies (2002) e April Skies (2005)


Mais um grupo que não leva o "gótico" a sério. Ou começou a levar, a partir do "White Lies", quando eles começaram a investir mais em violinos e violoncelos, para tentar dar à música do Deine Lakaien um ar mais melancólico. Porém, mesmo tentando, o Deine Lakaien continua um paródia do "gótico". É só observar com mais atenção ao penteado do Alexander Veljanov
, a maneira de ele soltar a voz, que às vezes parece que o cara tava com uma dor de barriga, e, pelo menos em gande parte do que foi feito pela dupla, o som produzido pelos sintetizadores. Parece até música de video game.

Alguém que pode estar me lendo, neste momento, pode achar que o objetivo do post é fazer piada do Deine Lakaien. Muito pelo contrário: eles foram responsáveis por darem o ponta-pé inicial do dark wave, uma espécie de "versão eletrônica" do gênero "gótico" (eu já não escrevi falando do caráter sarcástico do Bauhaus, uma banda de goth rock?). E tem mais: quando quiseram escrever coisas sérias e belas, eles fizeram bem. Sugiro que você escute "Ulisses", do Dark Star, e "Return", do Kasmodiah.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cocteau Twins

FICHA TÉCNICA

Ano de formação: 1979
Tempo de atividade: 1979 - até hoje
Origem: Grangemouth, Escócia
Integrantes: Elizabeth Fraser, Robin Guthrie e Will Heggie (saiu em 1983, substituído por Simon Raymonde)
Discografia: Garlands (1982); Head Over Heels (1983); Treasure (1984); Victorialand (1986); Blue Bell Knoll (1988); Heaven Or Las Vegas (1990); Four Calendar Cafe (1993) e Milk And Kisses (1996)

Sou um apaixonado por vocais femininos (claro, tirando a Joelma, do Calypso), e, por essa e por outras razões, o Cocteau Twins tem um quarto especial no meu coração, com direito a tratamento VIP. As outras razões? Considerados pioneiros do dream pop, o Cocteau Twins possui letras absolutamente non-sense, escritas apenas como um gracioso pretexto para colocar a voz de Liz Fraser em algum lugar e uma melodia surreal, que seria uma ótima trilha sonora para quando se sonhar com um belo jardim guardado por um dragão, ou com uma taberna medieval no sopé de um monte.

A evolução musical do grupo também é notória, mas um pouco triste, na minha opinião, pois eles começaram bebendo do gothic rock, no começo de carreira, com guitarras distorcidas e um som cavernoso, introspectivo, nebuloso, transicionando até o new age e seu riponguismo, do qual, inclusive, serviu para influenciar a chata da Enya. Parece que essa transição vem cedo demais, logo no álbum "Victorialand", em 86 - para o qual, confesso, não tenho muito saco. Mas, mesmo assim, devido à voz da Liz Fraser e o ar sobrenatural das músicas, vale no mínimo escutar, sem querer colocar na categoria do "não ouvi e não gostei". Tentativa de paráfrase: etéreos.

The Smiths

FICHA TÉCNICA

Ano de formação: 1982
Tempo de atividade: 1982 - 1987
Origem: Manchester, Inglaterra
Integrantes: Morrisey, Johnny Marr, Craig Gannon (saiu depois), Andy Rourke e Mike Joyce
Discografia: The Smiths (1984); Meat Is Murder (1985); The Queen Is Dead (1986) e Strangeways, Here We Come (1987)

O rock dos anos 70 sofreu uma grande invasão de rock progressivo, através de bandas como Pink Floyd, Genesis e Jethro Tull. Invadiu de tal forma que esse estilo de rock foi considerado como um dos principais em voga dessa época. Mas, quem disse que, nos anos 80, o rock'n roll havia morrido? O Smiths estava lá, para provar isso. E realmente, mataram a cobra e mostraram o pau: além de retomar o rock que vinha sendo tendência até uma parte dos anos 60, eles colocaram originalidade em seu trabalho, adicionando um ar meio "cowboy" para o som.


Homossexual assumido, Morrisey é de fato um personagem dentro do rock. Ele era um homem com uma alma de garoto, bem como atesta a linda "The Boy With The Torn In His Side" ("The boy with the torn in his side / Behind that mistread eyes lies a murderous desire / For love / How could they look into my eyes / If they don't believe me?"), um jovem com um sentimento de um adolescente de 16 anos, perdido em um mundo onde ninguém entende ninguém e não parece ter tempo um para o outro (como mostra parte de "Heaven Knows I'm A Miserable Now": "In my life / Why do I give valuable time / To people who don't care if I / Live or die?") . Hoje, ele segue carreira solo. Afinal, genialidade sem ação é apenas teoria.

New Order

FICHA TÉCNICA

Ano de formação: 1980
Tempo de atividade: 1980 - até hoje
Origem: Manchester, Inglaterra
Integrantes: Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e Phil Cunningham
Discografia: Movement (1981); Power, Corruption And Lies (1983); Low Life (1985); Brotherhood (1986); Technique (1989); Republic (1993); Get Ready (2001); Waiting For The Siren's Call (2005)

Com a morte de Ian Curtis e, conseqüentemente, o fim do Joy Division, uma das mais aclamadas bandas de todos os tempos (que inclusive foi tema do filme "Control", lançado em 2008), o que restou da banda decidiu embarcar em um projeto novo: nascia aí o New Order. Muito embora o Ian Curtis certamente esteja se batendo no caixão, com o novo rumo que a sua banda tomara, aquela que antes fazia rock e depois passou a fazer synth pop, eu, com certeza, sou obrigado a ficar em cima do muro: se, por um lado, perdemos uma genialidade enorme ao perdermos o Joy Division, por outro, ganhamos uma banda que soube como ninguém explorar recursos eletrônicos para criar um som inovador e botar muita gente pra dançar.



O New Order é uma banda bastante comparável ao Depeche Mode, tanto quanto pelo estilo musical, quanto pela evolução musical pela qual ambas as bandas passaram. O New Order, assim como o Depeche, começou com um eletrônico batida bem pop (synth pop), bem para discoteca. Já nos últimos dois álbuns, eles deram menos foco aos sintetizadores dos 80's para dar uma batida mais "downtempo" para as músicas, criando um som mais relaxante - e até mesmo sensual. "Waiting For The Sirens Call" faz uma revisitação de todo o tipo de som que eles já fizeram. Sem falar, claro, da bregueira inicial dessas bandas - basta ouvir "Bizarre Love Triangle", disponível aí embaixo.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Onde estamos!

Esse aí é o nosso QG.


Visualizar Onde estamos! em um mapa maior

The Sisters Of Mercy

FICHA TÉCNICA

Ano de formação: 1980
Tempo de atividade: 1980 - 1990
Origem: Leeds, Inglaterra
Integrantes: Andrew Eldtrich, Gary Marx (saiu depois), Doktor Avalanche, Ben Gunn (entrou depois e saiu em 1983), Craig Adams (entrou depois e saiu depois), Wayne Hussey (substituiu Ben Gunn), Patricia Morrison (entrou depois e substituiu Wayne Hussey)
Discografia: First And Last And Always (1985); Floodland (1987) e Vision Thing (1990)

Agora, é hora de falar uma banda que levou a coisa do "gótico" a sério. Mesmo que o som dos caras não seja uma rasgação de seda e chororô do tipo "vou me matar porque meu peixe de aquário morreu" (aliás, muito pelo contrário: o som de The Sisters Of Mercy possui uma energia poderosa, que não coloca nem um pouco alguém para baixo!), temas como morte, destruição e desilusões estão presentes. Além, é claro, da atmosfera sombria, lúgubre e misteriosa.

O nome "The Sisters Of Mercy" foi tomado de uma música homônima do Leonard Cohen, na qual ele faz uma alusão a um grupo de freiras. Porém, é uma frase de duplo sentido, pois faz uma alusão também a putas. O significado, aliás, interpretado por Eldritch no momento da escolha do nome da banda. Ele acreditava que a escolha do nome a partir desse ponto de vista foi devido ao fato de os músicos de rock da época se comportarem desse modo, como putas.

Os dois primeiros discos de estúdio são maravilhosos, sendo que "First And Last And Always", uma grande obra prima, sintetiza bem a proposta do gothic rock: guitarras e metais não tão pesados, beirando mais para um rock'n roll. "Floodland", também fenomenal, já começa a se deixar seduzir mais pela crescente invasão do hard rock oitentista, com uma batida um pouco mais rápida e guitarras mais distorcidas. "Vision Thing" já perde um pouco de tudo isso, partindo mais para recursos eletrônicos.

Vale ressaltar que o Andrew Eldritch não é só música e barulho: o cara estudou Letras com especialização em alemão, italiano, francês, galês, latim e chinês, além de ter estudado também Ciências Políticas - o que o levou para Leeds e, conseqüentemente, a formar o Sisters.

Em junho deste ano, eles farão apresentação aqui no Brasil. Ainda não tenho informações sobre a formação que atuará, mas, sem dúvida nenhuma, é um show imperdível.

Bauhaus

FICHA TÉCNICA

Ano de formação: 1978
Tempo de atividade: 1978 - 1983
Origem: Northhampton, Inglaterra
Integrantes: Peter Murphy, Daniel Ash, David Jay Haskins (David J) e Kevin Haskins
Discografia: In The Flat Field (1980); Mask (1981); The Sky's Gone Out (1982) e Burning From The Inside (1983)

Deixando uma legião de seguidores e considerados pais do death rock (ou gothic rock, porém, termo que por várias razões não gosto), o Bauhaus é uma banda vítima de uma dupla fatalidade: uma vida curta e poucos discos de estúdio. O que é uma grande pena, pois normalmente quem entende de rock e conhece o som dos caras, não nega que eles são dotados de uma genialidade e uma ótica muito inovadora de olhar o "gótico".

A despeito da tendência "eu-odeio-você-o-mundo-e-eu-mesmo-e-vou-me-matar" de toda a psiquê gótica (especialmente da poesia), os caras viram no som que estavam produzindo uma forma de extravazar e tirar sarro. Sim, há muita ironia. Basta que o leitor escute "Bela Lugosi's Dead" (uma clara alusão ao ator austro-húngaro que encarnou o Conde Drácula no cinema) que ele entenderá o que está sendo dito aqui.

Então, em 1983, eles desbandam, após permanecerem grande parte de sua carreira no obscurantismo da cena alternativa inglesa dos anos 80. O vocalista Peter Murphy parte para a carreira solo, enquanto que o guitarrista Daniel Ash funda o Love And The Rockets. Creio que, se não fossem os caras do Bauhaus, muita produção dos anos 80 não existiria, a exemplo da banda The Cure, grande ícone dessa década.